segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Corola E Cólera

Dentro daquela caixa tem um esquecimento: vapores suspensos.
Coisa curiosa a fumaça do pacote.
Coisa que oculta o azul do céu: em combustão.
A poeira que se elevou do solo assentou depois da chuva.
E na noite todos dormiam.
E tudo era sombra.
E nada sabiam.

Em vão mãos cavam o chão, não encontram nada
e ficam em cólera.
O obscuro, o monturo,
as faces sem rosto no lúgubre.
Esquecem ou omitem.

Roda argola e agora gira o que faz depois?
Abre-se a corola da flor
Em meio de tudo,
no entorno em ascensão acende um luzente.
Voa um mensageiro, tocando cítara.
Um pirilampo alado.

Tempo de sair do fundo do tempo.
Tempo de correr no oposto do tempo.
O tempo que não está no relógio.

5 comentários:

Poeta da Colina disse...

O tempo que não é novo, que passa nas sombras das noites que esquecemos.

glória disse...

Simone - Que coisa mais linda!

"Roda argola e agora gira o que faz depois?
Abre-se a corola da flor"

Essa sobreposição do tempo, não tem lugar. É vapor, e é coisa oculta, é interstício entre noite e dia, no obscuro tempo em que abre a flor.

bjs

simone disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Tatiana Kielberman disse...

Querida Simone,

Já havia passado no seu blog rapidamente em um momento anterior, mas hoje pude me debruçar por aqui com um pouco mais de calma... e amei o que vi!

Você tem um talento admirável, super parabéns!!

Não é à toa que suas pinceladas nos Escrevinhadores são as mais sensatas e perspicazes!

Virei fã e retornarei mais vezes ao seu cantinho!

Beijos, parabéns!!

Letícia Losekann Coelho disse...

Simone,
Belíssimo poema... Daqueles que me fazem reler e aplaudir.
Coisa linda demais, simbiose de palavra, corpo e flor.
Beijos