domingo, 26 de setembro de 2010

Ventríloquo

Vem o vento que vi ventríloquo. Vai que move o pé,
a boca, e a mão do boneco.

Desmiolado, o fantoche refém do ventríloquo, que é sem ser
ninguém.
E quantos ventam no ar que outros movem,
sem saber, quem são?

Que continuam, apenas querendo, ser aquele que o
movimenta?
Os seus membros moles, e sem pensar
quem manda

e mexe o fio que comanda o poder. É tão louco, sem sentido.
E os comandados, pelo ventríloquo, sem emoção própria
são sombras do comando.

4 comentários:

Adriano C. Tardoque disse...

A alma do fantoche não é a mão, é o gesto. E o espírito do gesto é a expressão.

Letícia Losekann Coelho disse...

E como tem gente que nasce para ventríloquo. A vida guiada pelas mãos dos outros, o tempo ocupado pelo tempo do outro... A frase pronta que o outro sempre repete.

Gostei da poesia! Quero saber se posso colocar essa poesia na revista da minha editora. Se tu aceitares, envia para o e-mail contato@editoranovitas.com.br com teu endereço de blog.
Beijos

glória disse...

Simone escreve dedilhando pensamentos sem forma, sem padrões de linguagem. Ela desenha poesia porque ela mesma é um poema vasto e delicado. E eu tenho o privilégio de abraçá-la!
Fantoches são a projeção dos corpos que se ultrapassam? bjs

Vanilla disse...

Olá...
Visito teu blog por indicação da Glória.
Confesso que estou amando!
Lindas suas palavras!
bjss